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Dezembro de 2007
31 de Dezembro de 2007
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“Tudo é vivido pela primeira vez. Sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso o que faz com que a vida pareça sempre o esboço. No entanto, mesmo “esboço” não é a palavra certa, porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, que o passo que o esboço da nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro”.
Einmal ist Keinmal.
Kundera
“Assim que nascemos já estamos envolvidos num certo esquema, somos condicionados a funcionar nele: podemos consertar uma coisinha aqui, outra ali, como um barco furado, mas não há como refazer tudo, não dá tempo, precisamos chegar ao porto, ou pelo menos imaginamos que sim. E nunca chegamos, claro. Bem antes disso o navio vai afundar”…
Miller
29 de Dezembro de 2007
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Achei no Google. De todas as minhas resoluções de ano novo, a mais urgente é voltar a lecionar.
29 de Dezembro de 2007

Acordava no meio da noite com a sensação de que estava faltando alguma coisa, levantava, andava pelo apartamento, conferia as portas, o gás e sentava no sofá ao lado do telefone. Queria ligar para alguém; queria ter para quem ligar, mas: ninguém. Verificava se ainda havia alguma luz acesa nos prédios vizinhos e, quando havia, imaginava o por quê. “Estou morrendo de tempo”, ele disse. “Estamos”, respondi. A última conversa não me saía da cabeça. Sempre ficava com a sensação de não ter dito tudo e de ter dito tudo errado e de ter escondido o que não deveria. Queria ter dito: “Não estou feliz”. Foram meses planejando, idealizando e viabilizando uma vida nova, unicamente para entender que essa vida nova não era a minha vida; que essa felicidade não era a minha felicidade. E que essa paz, esse silêncio, essa pessoa no espelho…! “Um café e a conta, por favor”, “Aliás, esqueça o café, me traga um desfibrilador, que o meu coração ainda pode ter jeito”. E eu achando que poderia viver sem coração; que amores assim poderiam ser mortos com meia dúzia de palavras enterradas no peito. Burra.
“Alô… Oi, te acordei?”
29 de Dezembro de 2007
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“, então o melhor seria tentar chegar à raiz de tudo, descobrir por que ela mentia de maneira tão flagrante. (…) Muitos milênios devem ter sido necessários para a humanidade elevar a verdade a um nível tão supremo, e transformá-la no fulcro, por assim dizer, da individualidade. O aspecto moral é apenas uma circunstância concomitante que encobre alguma finalidade mais profunda e já quase esquecida. Que historie signifique tanto narrativa quanto mentira e história, todas ao mesmo tempo, tem uma significação que não pode ser desprezada. E que uma certa narrativa, apresentada como invenção de um artista criador, possa ser considerado o material mais eficaz para chegar-se à verdade sobre seu autor também é significativo. Mentiras só podem existir incrustadas na verdade. Não têm existência isolada; têm uma relação simbiótica com a verdade. Uma boa mentira revela mais do que a verdade jamais poderá revelar. Para o homem, claro, que procura a verdade. Para uma pessoa assim a mentira jamais poderá ser motivo de raiva ou recriminação. E nem mesmo de dor, porque tudo ficaria patente, nu e revelador”.
Henry Miller
“Por que sou amada por ele? Será que ele continua me amando? Seu amor é por algo que não sou. Não sou suficientemente bela, não sou boa, não sou boa para ele, ele não deveria me amar, eu não mereço, vergonha, vergonha por não ser suficientemente bela, (…) Lave os seus olhos mentirosos e seu rosto mentiroso, Sabina (, Mona, June, Daniela), vista as roupas que ficaram em casa, que são dele, batizadas por suas mãos, interprete o papel de uma mulher inteira, pelo menos você desejou ser isso, não é uma mentira completa”…
Anaïs Nin
28 de Dezembro de 2007
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Sabina, June… Eu.
26 de Dezembro de 2007
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Miacabei com as minhas priminhas (quatro e sete anos) na exposição Arte para crianças do MAM. O mais engraçado foi ouvir a conversa entre as duas, após sairmos de lá:
– Mas o que é arte?
– É tudo aquilo que tava dentro do museu, oras!
Tá certo.
26 de Dezembro de 2007
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‘Til the life I knew comes to my house and says: HELLO.
26 de Dezembro de 2007
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Vamos nos ver hoje? Vamos? A hora que você quiser. Tô em casa. Não precisa nem ligar. Vamos? E se eu puser as coisas assim, você vem? Você tem coragem? Hein? Ou é sempre a mesma coisa?
***
“Em A Noite, ainda que mais atento às conseqüências do que às causas, Antonioni chega à mesma constatação de Rossellini e Godard: a culpa é da vida moderna, que esvazia as relações, turva e corrompe os sentimentos.
A resposta pode soar fácil, mas se provou certeira no caso desses três cineastas e seus casamentos. Rossellini e Ingrid Bergman, Godard e Anna Karina, Antonioni e Monica Vitti: todos souberam expurgar muito bem, em seus filmes, suas próprias crises conjugais, mas não conseguiram evitar que o mundo do cinema e seu ritmo atropelassem suas relações. Eles provaram do próprio veneno, depois de terem levado o tema da “crise do casal” ao centro do dito cinema moderno”.
24 de Dezembro de 2007

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
O importante é o trajeto: as cores, os corações e as memórias. As memórias ignoram o sinal aberto, o trânsito e a chuva; cruzam a cidade para dormir ao meu lado, enquanto você é “feliz Natal” do outro lado da linha. Dentro do meu apartamento, as memórias tomam corpo: são as pernas que se confundem com as minhas, as mãos que agarram os meus cabelos e a boca que redime o meu passado. Mas,
pela manhã,
tudo vira bilhete sobre a mesa de cabeceira: não
existe
final
feliz.
23 de Dezembro de 2007
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das datas. Feliz aniversário atrasado, John.
So I need some fine wine, and you, you need to be nicer.