29 de Dezembro de 2007

Nem todo mundo

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

007yu1.jpg

Acordava no meio da noite com a sensação de que estava faltando alguma coisa, levantava, andava pelo apartamento, conferia as portas, o gás e sentava no sofá ao lado do telefone. Queria ligar para alguém; queria ter para quem ligar, mas: ninguém. Verificava se ainda havia alguma luz acesa nos prédios vizinhos e, quando havia, imaginava o por quê. “Estou morrendo de tempo”, ele disse. “Estamos”, respondi. A última conversa não me saía da cabeça. Sempre ficava com a sensação de não ter dito tudo e de ter dito tudo errado e de ter escondido o que não deveria. Queria ter dito: “Não estou feliz”. Foram meses planejando, idealizando e viabilizando uma vida nova, unicamente para entender que essa vida nova não era a minha vida; que essa felicidade não era a minha felicidade. E que essa paz, esse silêncio, essa pessoa no espelho…! “Um café e a conta, por favor”, “Aliás, esqueça o café, me traga um desfibrilador, que o meu coração ainda pode ter jeito”. E eu achando que poderia viver sem coração; que amores assim poderiam ser mortos com meia dúzia de palavras enterradas no peito. Burra.

“Alô… Oi, te acordei?”

Os comentários estão fechados, mas você pode fazer um trackback do seu próprio site. RSS 2.0

Os comentários para este post estão fechados.