Arquivo de Dezembro de 2007

20 de Dezembro de 2007

Dear John,

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

 

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É o contrário, é exatamente o contrário: eu me encontrei. Passei muitos anos achando que não tinha nada; tornando os outros responsáveis pela minha felicidade e aceitação – sem pensar no quanto são frágeis as relações. E foram tantas as vezes em que fui deserto, esperando alguém pingar uma gota. E mesmo nas chuvas:

seca,

seca,

seca.

Antes era a ausência de mim. Antes era a soma de tudo aquilo que não sou: eco. Mas finalmente, meu amor, eu me soube. E não precisei dos seus olhos para me conduzir, nem do seu caos para me perder. Numa noite de quinta-feira, vendo um filme velho na tevê, percebi que a minha dor estava ocupando um espaço grande demais – me impedindo de existir. Foi então que rompi a casca. Assim, do jeito que todo mundo disse que deveria ser: de dentro para fora.

Eu não posso ser Sylvia. Ainda bem. Porque a dor, deste ponto de vista,

não

é

bela.

19 de Dezembro de 2007

Na parede

Postado em Estante. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Muito legal.

19 de Dezembro de 2007

Minha vida sem mim

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

Você precisa entrar no ringue sabendo que não vai escapar de todos os socos. Amigo, você vai apanhar. E muito. Então, pensa se vale a pena. Mas saiba que aqui fora, na torcida, a gente também se dá mal. As pessoas estão sempre dispostas a roubar a sua cadeira, a trapacear nas apostas e até a tirar a sua vida.

Já não fecho os olhos, na hora de receber a minha dose diária de decepção. Não é qualquer golpe que me derruba – embora,

todos

me

machuquem.

Tento ter consciência da totalidade das coisas e: um soco é só um soco. Então, procuro não me prender àquele instante de dor – a vida vai além dos elásticos, dos juízes e da torcida. Na verdade, a vida vai além de você e

de

mim.

19 de Dezembro de 2007

Desconhecidos

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Dos milhares de problemas do apartamento novo, o mais grave era o das chaves: em algumas ocasiões, elas achavam que a sua função era entalar nas fechaduras e não abrir portas. “Não adianta insistir com as chaves, elas estão mesmo de férias”, pensei. Era uma situação ridícula ficar trancada para fora da minha própria casa; principalmente, num dia em que meus olhos estavam exaustos e o meu coração achava que era escola de samba: – Alô, seu mestre de bateria, vamos botar ordem nesta joça.

A minha paciência e a tarde já estavam no fim, quando te vi no ponto de ônibus. Pensei rapidamente em algum motivo para justificar a sua presença ali, mas a verdade é que já não sabia nada sobre a sua vida. O seu dia-a-dia estava fora do meu alcance. Aliás, você estava fora do meu alcance. Você? Sei lá, se você ainda era você. Olhando daqui, do outro lado da rua, não saberia dizer. Mas certamente alguma coisa estava diferente – percebi pelo jeito seguro que você mexia no cabelo. Pensei em dizer o seu nome, mas as reticências mal me deixavam respirar.

Quando estávamos juntos, fiz coisas horríveis e inexplicáveis. E te ver, mesmo de longe, era voltar a ter contato com essas coisas; era voltar a ter contato com duas pessoas que deixaram de existir: eu e você. Senti saudades de nós. Então, vi uma procissão de lembranças desfilando à minha frente. Nós não existimos mais: viramos fantasmas. Queria poder te trazer de volta, apenas para falar sobre a minha incapacidade de enxergar determinadas cores: – Meu bem, só vejo preto, branco e vermelho. Queria poder voltar o tempo. Mas: o ônibus.

Quando você pegou o ônibus, resgatei a minha vida (e a minha inocência).

“O problema são as chaves estúpidas, que”…

18 de Dezembro de 2007

Oçapse

Postado em Degraus. por sophrosyne.hybris@gmail.com

A exibição do meu primeiro vídeo vai rolar na próxima sexta-feira (21/12) no Ateliê da Imagem. Espero vocês lá (quem não for, além de perder a bebedeira confraternização, vai começar 2008 na minha lista negra).

 

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(Clique para ampliar)

17 de Dezembro de 2007

No Natal, eu quero

Postado em Estante. por sophrosyne.hybris@gmail.com

reconhecimento.

***

O artista, mesmo quando detecta um defeito, procura transformá-lo numa coisa perfeita, se posso dizer assim. Não tenta fingir que um verme é uma flor ou um anjo, mas incorpora o verme a uma coisa maior”.

Sexus, página 162.

17 de Dezembro de 2007

Pillow Book

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Pequenas peças coloridas se movimentam no chão – algumas estão encaixadas, outras sozinhas, perdidas, mas todas dançam a mesma música: tique-taque. Fico observando e quase encontro algum paralelo entre as peças e a minha vida. Mas o telefone toca e perco as nuances do sonho. Sinto falta de sonhar com mais freqüência; nos meus sonhos, não tenho um corpo maciço: sou extensão de alguma coisa maior e com a qual nem sempre posso interagir.

Quando precisava tomar remédios para dormir, sonhava todos os dias e eram sonhos longos e extremamente sensoriais: flores de cores impossíveis, cheiro de algodão doce, paredes de veludo… Pequenos fragmentos das memórias da minha infância. Nos sonhos, é sempre a garotinha que me visita. Talvez queira me dizer alguma coisa. Talvez…

Vendo as fitas das festas de família, percebi que não sei quem fui. Olhava para a tela e me perguntava: “Quem é essa?”. Desculpa, mas não lembro de ter sido assim: olhos tristes, sorriso forçado e mãos que não sabem direito o seu lugar. Lembro do gosto do bolo do aniversário do meu pai, das cores dos presentes de Natal, da música chata nas festas do meu tio…, mas não lembro de mim.

Em outro vídeo, pareço completamente adaptada à tristeza. Quanto tempo perdi sem agir! Sim, eu era absolutamente passiva. Não sou mais. Pequenas peças coloridas se movimentam no chão – algumas estão encaixadas, outras sozinhas, perdidas, mas todas dançam a mesma música: tique-taque. Fico observando e quase encontro algum paralelo entre as peças e a minha vida. Mas o telefone toca: – Eu te amo.

Amor é o que se aprende no limite,
depois de se arquivar toda a ciência
herdada, ouvida. Amor começa tarde.

17 de Dezembro de 2007

Como diria Vik Muniz:

Postado em Rabugices. por sophrosyne.hybris@gmail.com

“Levei 17 anos de carreira para fazer sucesso da noite para o dia”.

17 de Dezembro de 2007

Sobre gatos e lembranças

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Os trilhos cortavam as ruas, os fios quase tocavam o céu e o barulho estridente do bonde sacudia as janelas da velha casa. Minha avó não tinha ouvidos para o bonde; só os fados faziam com que ela reagisse.

Num dos dias de fado e casa cheia, brincávamos na calçada de casa. Enquanto meus primos jogavam bola, eu fazia dos trilhos a minha corda bamba. E já não era Santa Tereza; era o circo. E o público estava em silêncio, diante da coragem da equilibrista. Sombrinha para a direita, sombrinha para a esquerda e: – Menina, sai daí, quer morrer?, minha vó me arrastou até o outro lado da rua e eu, pela primeira vez na vida, tive a consciência da morte. Pude entender a vida como trajeto.

Dizem que a consciência da morte é o que nos diferencia dos bichos. Dizem. Ainda na casa da minha vó, fomos adotados por uma gata cinza que chamamos de Sputnik. Nunca houve uma gata como ela: Sputnik sabia a hora certa de ronronar. Era comedida. Mesmo quando se sentia incomodada com os carinhos desajeitados das crianças, reagia de forma delicada. Uma vez, desapareceu por alguns meses e voltou com três gatinhos. Minha vó cuidou deles, até ficarem independentes. Depois, acabaram encontrando outros donos pela vizinhança.

Sputnik envelheceu aos pés da minha vó. E num dos dias de fado e casa cheia, desapareceu. O que teria acontecido? Um gato? Um dono mais cuidadoso? Um acidente com o bonde? Minha vó chorava e dizia: – Nem na hora de morrer (ela estava certa de que Sputnik havia morrido) ela nos deu trabalho. E eu, naquele momento, entendi: nascemos sós e morremos sós.

E já não era mais o muro da casa 437; era um imenso gramado e a gata cinza perseguia uma borboleta,

15 de Dezembro de 2007

Independente do tamanho e da beleza,

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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…uma destas parasitas, talvez a mais conhecida é a Rafflesia das florestas tropicais úmidas de Bornéu e Sumatra. Produz a maior flor do mundo, cujo diâmetro chega a atingir 1m e no entanto todo o seu ciclo de vida se reduz a uma rede de filamentos escondidos no interior da planta hospedeira.

 

um parasita é sempre um parasita.