Sem pausa
Estou debruçada na janela e ouço ele abrir e em seguida bater a porta e depois de algum tempo não ouço mais nada além das crianças chegando da escola e do rádio da vizinha então deito na cama e me encolho agora as crianças estão brincando de pique-pega nas escadas e no rádio as notícias do dia e em mim além do silêncio um certo alívio afinal não há mais nada
a sua matéria não é mais possível
para
mim
Tenho a impressão de ouvir os meus sonhos se esgueirando pelos cantos da casa e acordando as lembranças e o amor e então levanto e fecho a porta do quarto na tentativa de deixar o mundo barulhento do outro lado da grossa camada de madeira mas em pouco tempo os malditos sonhos passaram por entre as frestas e alcançaram o meu peito
a gente pode esquecer dos sonhos
mas os sonhos
não esquecem
da gente
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