25 de Fevereiro de 2008

Sutilezas:

Postado em Estante. por sophrosyne.hybris@gmail.com

 

“Ela não consegue definir muito bem o seu sentimento, não sente ódio, nem repugnância, então talvez se trate de desejo. Não sabe de nada. Consentiu em ir ao apartamento na noite anterior. Está onde precisa estar. […] Ele está trêmulo. Olha para ela como se esperasse ouvi-la dizer alguma coisa, mas a moça não fala. Então ele também fica imóvel, não a despe, diz que a ama como louco, depois fica calado. Ela não responde. Poderia dizer que o ama. Não diz nada. Subitamente, compreende, num momento, que ele não a conhece, que não a conhecerá jamais. Mesmo com tantos subterfúgios para compreendê-la, jamais conseguirá. A ela compete saber. Ela sabe. […] Ele diz que está sozinho, terrivelmente sozinho com esse amor. Ela responde que também está sozinha. Não diz com o quê. […] E chorando realiza o ato. A princípio, a dor. E depois a dor se transforma, é arrancada lentamente, transportada para o prazer, abraçada pelo prazer”.

O Amante, Marguerite Duras.

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