Arquivo de Abril de 2008

17 de Abril de 2008

I

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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As prateleiras, os quadros, a mancha no sofá, a fechadura e a chave. Cinco da manhã: a casa acorda – a casa é, além de rotina e lembranças, sentimento e cheiro. Saudades dos meus dias de filha em Santa Teresa e do meu futuro promissor. Vejo as crianças penduradas no bonde – sonhos na cabeça e mochilas nas costas – da janela que não é mais minha; é da minha avó.

Na inquietude daquela tarde de verão, quando todos à minha volta ainda tentavam se livrar dos vestígios das fantasias de carnaval, eu te soube – e me soube através de você. Logo eu, que achava essa coisa de amor tão fora de moda; logo você, que já tinha digerido a própria solidão. Logo nós!… decidimos ser a única
residência
fixa
possível.

Posso mudar e mudar, mas é sempre para cá que eu volto – fisicamente e em sonho.

17 de Abril de 2008

Ainda sobre datas:

Postado em Diarices., Estante. por sophrosyne.hybris@gmail.com

“SÓCRATES - Recordando-se então de sua primeira morada, de seus companheiros de escravidão e da idéia que lá se tinha da sabedoria, não se daria os parabéns pela mudança sofrida, lamentando ao mesmo tempo a sorte dos que lá ficaram”?

A República, Platão.

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Eu, o sol e o presente.

 

16 de Abril de 2008

Datas.

Postado em Diarices. por sophrosyne.hybris@gmail.com

Estamos todos morrendo de tempo.

16 de Abril de 2008

Take my picture

Postado em Degraus. por sophrosyne.hybris@gmail.com

Saiu uma foto minha no blog do JL (Jornal Laboratório) – FACHA. Para ver clicaqui.

15 de Abril de 2008

Sem rede de proteção

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Nunca aprendi a dar laço. Então, sigo tropeçando nos cadarços e nas figuras. Nos mesmos cadarços e nas mesmas figuras. Talvez a gente não aprenda nada mesmo – ou eu é que não.

 

Parada no alto da escada, fumando os azuis das outras semanas, ela quer – e vai – cair.

14 de Abril de 2008

!

Postado em Degraus. por sophrosyne.hybris@gmail.com

Há algumas semanas, um amigo me explicou o significado de “foca”: (…) Outro bicho, este marcante no jargão do jornalismo, é a foca. Na verdade, “o” foca. Jornalista novo, inexperiente. Um foca. Consta que o apelido vem dos remotos tempos do flash a magnésio. Os fotógrafos dos jornais preparavam suas máquinas: focavam e deixavam o obturador (uma pequena “janela”) aberto. Quando todos estavam prontos, alguém riscava um fósforo numa placa de magnésio e ela “explodia” num clarão. Essa luz passava pelo obturador aberto e impressionava a chapa, o avô do filme.

Ocorre que alguns fotógrafos, inexperientes, demoravam para preparar a máquina – e atrasavam os outros. “Péra aí, estou focando.” E os outros: “Foca logo, caramba”. E mais tarde… “Ih, lá vem o foca”. Esta é a história que eu conheço.

Bom, isso tudo é para dizer: a nova foca sou eu.

13 de Abril de 2008

Pensando

Postado em Degraus. por sophrosyne.hybris@gmail.com

sobre isso.

12 de Abril de 2008

Ainda sobre My Blueberry Nights

Postado em Estante. por sophrosyne.hybris@gmail.com

As mudanças em My Blueberry Nights, último filme de Wong Kar-Wai, vão muito além do idioma (o road movie foi gravado nos EUA e é inteiramente falado em inglês): o diretor que, normalmente assina sozinho os roteiros, divide a história com Lawrence Block e a direção de fotografia, pela primeira vez em 15 anos, não é de Chistopher Doyle. Juntos Wong e Doyle inventaram o mais copiado estilo de representar a passagem de tempo – uma combinação de slow-motion, cores acentuadas, um leve desfocado e, em quase todas as cenas, a presença do cigarro.

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Tony Leung em 2046

A impossibilidade das relações amorosas continua sendo o tema central dos filmes de Wong, mas, no adocicad0 My blueberry Bights, o final surpreende: beijos, personagens se modificando e uma série de clichês típicos da indústria do cinema. Outras características do diretor como a narração em off – “a maneira mais longa de se atravessar uma rua” – e a sobreexposição de planos diretos continuam presentes.

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Jude Law e Norah Jones em My Blueberry Nights

A comparação entre My Blueberry Nights e Amores Expressos é inevitável – talvez pela presença de signos como a chave e o bar ou pelas personagens principais serem representadas por cantoras (Faye Wong e Norah Jones). No entanto, o frescor e a delicadeza do filme de 1994 não se repete. Nem poderia. A falta de pretensão e a liberdade de criação, essenciais para o surgimento de idéias originais, não seriam possíveis num filme feito, principalmente, para vender.

 

 

10 de Abril de 2008

Sexta-feira:

Postado em Agenda. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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No momento de Um Beijo Roubado (My Blueberry Nights) em que a personagem de Norah Jones deixa Nova York depois de uma desilusão amorosa, toca ao fundo “Yumeji’s Theme”, de Shigeru Umebayashi - a música-tema de Amor à Flor da Pele, o filme que transformou o cineasta chinês Wong Kar-Wai de cult em ídolo. É a única referência auditiva que remete ao Kar-Wai do passado, neste que é o seu primeiro longa falado todo em inglês.

8 de Abril de 2008

Sobre amarelos e azuis:

Postado em Verborrágica. por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Depois de abrir os olhos passa, depois de escovar os dentes passa, depois de tomar banho passa, depois de ler os jornais passa, depois de almoçar passa, depois de ver o filme passa, depois de escrever passa, depois do dia passar passa,

mas não passa.
Nunca.