4 de Julho de 2008
Somos para os outros tão-somente o que parecemos
“O nosso Vitangelo Moscarda (cuja sina começa pelo nome que não lhe coube, como a ninguém cabe, escolher) se apercebe de que toda a sua vida passada não quis ou não pôde opor às imagens de si, construídas pelos outros, uma auto-imagem consistente. Se, para os outros existiam tantos e tantos Moscardas, cem mil aspectos e perfis da sua persona aparente, para ele próprio parecia não haver um único eu que pudesse subsistir e resistir fora da opinião alheia. Para si próprio ele, afinal, era ninguém”.
Apresentação de Alfredo Bosi para Um, nenhum e cem mil, de Pirandello.
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