Arquivo de Agosto de 2008

30 de Agosto de 2008

Mostra Livre de Artes 2008

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Estarei lá.

27 de Agosto de 2008

Rastros

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Metido naquele uniforme azul, entre pensamentos-pipa, o menino não faz idéia de que, um dia, não vai restar nada do imponente hotel em que ele trabalha para vencer o tempo.

27 de Agosto de 2008

Práxis

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“O Jornalista escreve para o esquecimento”.

23 de Agosto de 2008

Sobre o que nunca vai ser lido

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Nos primeiros minutos, a minha boca se deixava invadir sem vacilar, resistir ou sofrer. Depois, sufocada, passei a inspecionar cada milímetro de sua superfície à procura de uma costura, remendo ou fio solto, mas: nada – tratava-se de um inteiro. Girava, torcia, escorria… e parava abismada. Não tinha fim.

O infinito não passava de um encontro entre todos aqueles azuis; e para além deles não havia nada. O que eu esperava encontrar afinal? Mesmo completamente imersa e me debatendo, ainda tentava assimilar tudo aquilo. Precisava de uma explicação lógica para estar ali.

Desde o início, eu sabia: aqueles olhos não eram de areia. Mas não acreditei que o mar… conseguisse,

em suas sístoles e diástoles,
destrancar tantas portas
e se fazer presente.

17 de Agosto de 2008

Gaveta

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Um buraco imenso duas pedras cinco moleques atravessando a rua nenhum maço de cigarros quatro postes acesos uma infinidade de estrelas uma chamada em espera duas quadras cinco lances de escadas dois tacos soltos uma hora dois pratos dois copos quatro garfos nenhum beijo dois sapatos um vestido uma calça uma camiseta dois discos um comprimido nenhum sono.

Não estávamos sozinhos. As paredes do alojamento eram finas e permitiam que toda a sorte de barulho (e, portanto, de vida) invadisse o pequeno cômodo. Era compreensível que ele precisasse beber tanto para suportar aquilo. Em geral, as pessoas bebem para fugir da rotina; ele bebia para suportá-la.

No entanto, naquela noite, ele não parecia bêbado. Estranhei. De repente, começou a falar cadavezmaisrápido e embolar as plalavras: – Estamos sendo arrastados e vamos cair, vê? No entanto, sentia o meu corpo leve, como se pudesse voar pela janela e ganhar a rua; nela, os meus pés sentiriam o chão frio e, de novo, as pedras. Como algumas pessoas conseguiam passar por aquele caminho acidentado com tanta facilidade? Para ele, cada pedra usada para calçar aquelas ruas, aquelas mesmas ruas, era enorme.

A mistura de todas as cores era o negro afinal. E era apenas o negro que ele era capaz de enxergar – naquela situação e mesmo antes.

16 de Agosto de 2008

Viver a vida

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O londrino Ashley Revell, de 32 anos, decidiu vender tudo o que tinha – incluindo sua casa e as suas roupas – e apostar tudo em uma única rodada de roleta em um cassino de Las Vegas.

E eu aqui, deitada na cama, lendo e deixando o tempo passar.

13 de Agosto de 2008

k7

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A gravação estava baixa – de fita para fita nunca fica bom, mas é melhor do que ouvir rádio. Jogou o jaleco no banco de trás do carro e, com a mão para fora da janela, deu adeus aos amigos. Nossos amigos. Não me lembro direito deles. Borrões. A verdade é que, para além do seu rosto, a minha memória não existe.

Mesmo no inverno, o sol persiste. Rio. Guardo o casaco dentro da bolsa e ligo o ipod. A música é a mesma daquelas velhas fitas; daqueles dias em que voltávamos juntos da faculdade.

Decido ir andando até o trabalho: músculos esticados e a música no ouvido. Dez anos depois, aquele refrão é como um reencontro com aquilo
que
ainda
insiste
em
restar

11 de Agosto de 2008

Ostra

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No fundo do mar, onde quase tudo é silêncio, um grão de areia pode ser um incômodo necessário.

2 de Agosto de 2008

Aqui

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No meio da noite, pesadelo expressionista: coração batendo forte e o diabo do casaco vermelho chamando a atenção de todos para mim – o meu maior medo é estar no centro; é caminhar para o centro.

A incapacidade de falar, pensar e respirar vem ao longo do dia. Sem ar. Quase afogada. A rotina é constituída desse líquido em que estou inserida; desse líquido que entra pelas narinas e me entorpece. É preciso se agarrar a alguma coisa: – Ao amor, ele disse. Mas eu não consigo amar uma única pessoa ou coisa; não tenho foco. Tudo o que sinto se pulveriza antes de se solidificar. É como chuva. Mar. Ou qualquer outra coisa de natureza parecida. Lágrimas talvez.

E, olhando para os lados, percebi que não estou só: estamos todos deslizando – plano inclinado. Sempre na mesma direção e sentido. Pernas, braços e cabeças que se misturam: monstro de gentilezas padronizadas. Descendentes. Decadentes. Patéticos.