Sobre o que nunca vai ser lido
Nos primeiros minutos, a minha boca se deixava invadir sem vacilar, resistir ou sofrer. Depois, sufocada, passei a inspecionar cada milímetro de sua superfície à procura de uma costura, remendo ou fio solto, mas: nada – tratava-se de um inteiro. Girava, torcia, escorria… e parava abismada. Não tinha fim.
O infinito não passava de um encontro entre todos aqueles azuis; e para além deles não havia nada. O que eu esperava encontrar afinal? Mesmo completamente imersa e me debatendo, ainda tentava assimilar tudo aquilo. Precisava de uma explicação lógica para estar ali.
Desde o início, eu sabia: aqueles olhos não eram de areia. Mas não acreditei que o mar… conseguisse,
em suas sístoles e diástoles,
destrancar tantas portas
e se fazer presente.
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