26 de Novembro de 2008
Documento 1
Pensar no mundo – em tudo aquilo que eu não conheço do mundo – faz com que as minhas mãos tremam. É melhor pensar que o (meu) mundo é apenas aquilo que conheço: essas ruas do Rio, sempre as mesmas, sempre magras e tristes. O meu mundo é a minha rotina e nela não há companhia constante – as pessoas me atravessam e, de repente, não mais.
Os sorrisos e os corpos vão lentos. Que calor! O chão da varanda está coberto de restos da noite anterior. Descalça, acabo pisando numa ponta de cigarro. Não sinto.
Blindagem,
muro,
sangue-lodo.
Em breve, não haverá quem me atravesse. Então, que seja só.
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