29 de Janeiro de 2009
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Quando li “O tabu da morte”, fiquei impressionada em reconhecer que a nossa sociedade, de fato, tenta esconder a morte e fugir da dor. Os velhos não são vistos como fonte de sabedoria, mas como uma lembrança incômoda de que a vida tem fim. A tristeza é sempre tratada como algo sem sentido, que deve ser escondida e tratada com remédios. Sorrisos-Prozac desenhados no rosto de todos – inclusive no meu.
Antes que alguém continue o papinho, adianto: não estou feliz. Mas não acho que essa tristeza deva ser tratada como patológica ou desnecessária. E não, não estou falando de encarar o sofrimento como única forma de redenção, vontade de Deus; falo de uma mudança de ponto de vista que pode, sim, trazer crescimento.
Pela atenção, obrigada.
D
23 de Janeiro de 2009
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Tudo bem: o mundo me acha maluca. Agora passo a concordar: – Estou vendo coisas! Da janela do trabalho, vejo gente conhecida bebendo e se divertindo. Gente do passado. Enquanto isso, na last.fm, rola “I am over it”. A vida tá de brinks.
21 de Janeiro de 2009
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18 de Janeiro de 2009
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Acordei com os primeiros acordes de Listen up: “But I don’t believe in magic; life is automatic. But I don’t mind being on my own. No, I don’t mind being on my own”.
17 de Janeiro de 2009
Tempo. Tempo é o que me apavora. Em 2007, queria tatuar relógios sem ponteiros, como os do Bergman. Não aconteceu. Tempo. Lembro de mim, aos 15, lendo aquele texto do Padre Antonio Vieira, “O amor e o tempo”:
Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco, que terem durado muito. São como as linhas, que partem do centro da circunferência, que quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os Antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos que lhe armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco, com que já não atira; embota-lhe as setas, com que já não fere; abre-lhe os olhos, com que vê o que não via, e foge. A razão natural de toda essa diferença, é porque o tempo tira a novidade das coisas, descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto e bastam serem usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor! O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos.
9 de Janeiro de 2009
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o tipo de samba que eu canto nada tem a ver com Carnaval.
1 de Janeiro de 2009
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(…) a felicidade reside no futuro.
Ontem, 31 de dezembro de 2008, as pessoas queriam comemorar o porvir. Naqueles dez segundos que antecedem a contagem regressiva, a certeza de que o simples virar das páginas do calendário traz consigo a solução de todos os problemas do ano anterior.
(…) a felicidade pode residir, também, no passado.
Quando todas as outras possibilidades se esgotam, Copacabana é o único lugar possível. Então parei diante de todas aquelas cores, me perguntando o que estávamos comemorando afinal. “É pelo que já passou, Dani”, “Ah, sim, feliz ano velho”, “Sim, 2008 foi um ótimo ano. Um ótimo ano”.
Depois da pirotecnia, nos resta apenas a fumaça.