Arquivo de
Março de 2009
31 de Março de 2009
Postado
em
Diálogos por
sophrosyne.hybris@gmail.com
Caro leitor,
“deixar a vida repercutir – e transbordar – na literatura, deslocando as obsessões de Bataille para a escrita, derivando suas fantasias no texto”, esta frase do prefácio de A História do Olho define bem o que venho tentado fazer neste blog – exceto pelo termo ‘literatura’, que eu substituiria por exercício pretensamente literário. Com efeito, deixo claro que escrevo para mim. É um ato extremamente egoísta. A realização de um desejo unicamente meu.
Apesar de o processo ser apenas meu, o resultado é de quem quiser ler. E quem está lendo tem o direito de se manifestar – por isso, o meu e-mail está disponível.
Não tenha medo de me escrever, uso o que me resta de traquejo social e bom senso para responder as mensagens que recebo.
Beijinho na testa,
D
30 de Março de 2009
Postado
em
Estante por
sophrosyne.hybris@gmail.com

The Prayer, Man Ray
Estou realmente impregnada de Bataille e Sade. Tenho medo de escrever. Ou melhor: tenho medo de permitir que essas sensações vazem de outra forma. Aqui, tudo é permitido: frases e parágrafos que desconhecem o meu ranço de culpa cristã. Culpa que eu senti aos 16, estudando naquele maldito colégio católico; aos 19, quando traí o meu noivo na escada do prédio; e, depois disso, quando fui me tornando tão perversa, que beirava o inviável. Tenho vontade de romper o silêncio de algumas pessoas com textos não-ficcionais, diretos e assustadores. O que se esconde por detrás de alguém de aparência tão austera?
30 de Março de 2009
Postado
em
Diarices por
sophrosyne.hybris@gmail.com
Acredito que a maior loucura é conseguir dissimular a própria intolerância: desvia os olhos, contrai o corpo e cala. Se essa dissimulação recebe o rótulo de amor, é ainda mais nauseante: “suportei tudo isso por você”. Mas: quem te pediu para suportar algo? Se havia amor e liberdade, por que mentir?
Ai, meu bem, patético.
27 de Março de 2009
Postado
em
Diarices por
sophrosyne.hybris@gmail.com

Pois é, até o dia 7 de maio vou ser monotemática. Mad fer it. Ansiosa para cantar Blue Moon e praticar hooliganismo.
23 de Março de 2009
Postado
em
Estante por
sophrosyne.hybris@gmail.com
“Um na multidão ilimitada de existências, assim eu prossigo doravante meu caminho, definitivamente um entre outro outros; assim foram em mim criados o hoje, o aqui, o agora, a vida; uma alma que flutua num sonho de afeto, é isso; é um sonho feminino, o hoje; é um corpo feminino tocando o meu aqui; meu agora é uma mulher de quem eu me aproximo; e eis aonde vai a minha vida, esta moça nesta noite….”
19 de Março de 2009

Foto: Marina Patalano
A caneta afunda no papel produzindo sulcos cheios de tinta; produzindo palavras e frases e folhas inteiras; produzindo cartas natimortas. Dez páginas. Não quero mais vazar deste jeito:
O dedo afunda na carne produzindo calafrios cheios de ridículo; produzindo sons e imagens e lembranças inteiras; produzindo uma relação natimorta. Um mês. Não quero mais vazar deste jeito:
Sozinha,
Sozinha,
Sozinha,
Sozinha.
17 de Março de 2009
Postado
em
Diarices por
sophrosyne.hybris@gmail.com
Mr. Hyde está com os dias contados.
16 de Março de 2009
Postado
em
Diarices por
sophrosyne.hybris@gmail.com

Para e M e O,
Existe um ruído entre aquilo que sou e o que pareço ser. Uma parte deste ruído é produzida por mim; é casca e cicatriz e viver. A outra parte é o lugar onde me torno objeto; é o conviver – retalho cerzido pelos incontáveis processos de semiose de quem vê e, portanto, julga.
A liberdade produzida pelo fim de um relacionamento se traduz em diversas rupturas – no outro e em mim. Não sinto a minha casca tão dura, já não é tão difícil entrar. Finalmente, reverbero a simpatia de quem quer simplesmente se permitir um sorriso, um conversa, um beijo; de quem quer se permitir o improvável.
Continuo reafirmando: não gosto de gente. Mas, no meio desta gente, existem indivíduos. E de indivíduos, sim, eu gosto.
Amor,
D
14 de Março de 2009
Postado
em
Estante por
sophrosyne.hybris@gmail.com
Noto que estou envelhecendo; um sintoma inequívoco é o fato de que não me interessam ou surpreendem as novidades, talvez porque perceba que nada de essencialmente novo existe nelas e que não passam de tímidas variações. Quando era jovem, atraíam-me os entardeceres, os arrabaldes e a desdita; agora, as manhãs do centro e a serenidade. Já não brinco de ser Hamlet.
Ainda assim, consigo ver um horizonte inteiro em você.
13 de Março de 2009
Postado
em
Diarices por
sophrosyne.hybris@gmail.com
Estou esquerdizando de vez: ansiosa para ler a edição desta semana da Carta Capital, que ainda não chegou ao balneário.