Textinho para a meninota
Não é que eu tenha me rendido ao destino irremediável de ser quem eu sou – transformando, assim, a carne em fardo. Definitivamente, não é uma questão de aceitação; estou absolutamente confortável em mim. Não tenho ânsia de atingir o belo socialmente aceito.
Sei exatamente a dimensão física do meu corpo: ando pelos dias sem esbarrar, desnecessariamente, em ninguém. Não há o toque pelo toque. Não há desperdício daquilo que temos de mais raro, o tempo. Talvez, por isso, você nunca vá ouvir a minha voz. Talvez, por isso, você tenha de se conformar em projetar as suas inseguranças em mim.
Não me movo de mim. Por ninguém. Portanto, o riso e o tapa são igualmente genuínos; e só os conhece quem eu permito entrar. E você, não. E você, nunca. A sua rajada de palavras só é açoite para você.
Tenho sentido uma felicidade responsável e segura. No entanto, não sinto mais medo de nada. Até a morte, é sempre bem-vinda. A morte é a única forma de se alcançar o entendimento absoluto. Caminhamos – veja só, eu e você –, tranqüilamente, na direção do inevitável. Porém, sem admitir qualquer esbarrão. Cada uma na sua calçada.
Beijinho na testa,
D
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