Édipo Rei
E agora, vede em que mar de tormento
ele se afunda! Por esta razão,
enquanto uma pessoa não deixar
esta vida sem conhecer a dor,
não se pode dizer que foi feliz.
(Sófocles, 1976, p.91)
E agora, vede em que mar de tormento
ele se afunda! Por esta razão,
enquanto uma pessoa não deixar
esta vida sem conhecer a dor,
não se pode dizer que foi feliz.
(Sófocles, 1976, p.91)
O modelo metafísico de Platão se divide em dois níveis: transcendência e imanência. A transcendência é o plano do incorruptível, perfeito e eterno, ou seja: a idéia. Já a imanência, é o plano da matéria; daquilo que se corrompe – estamos caminhando irremediavelmente para a morte.
Na mitologia grega, Tânatos é a personificação da morte, filho de Érebo e Nix, e Eros, filho de Afrodite e Zeus, o Deus do amor. Na teoria das pulsões, de Freud, Tânatos é a pulsão de morte e Eros a pulsão sexual. A pulsão é a tendência ao restabelecimento do estado anterior; e, como o estado anterior à vida é o estado inorgânico, as pulsões buscariam, em confluência, a volta a este estado. As pulsões de autoconservação, que parecem se opor à morte, são pulsões parciais para assegurar no organismo o seu caminho para a morte. Para Freud, sempre havia certo grau de mistura entre as pulsões.
Numa noite de chuva, Eros procurou abrigo numa caverna. Permaneceu sentado por algum tempo, mas logo adormeceu sem perceber que, na penunbra, Tânatos o contemplava. Perdido em seu estado de contemplação, Tânatos não se deu conta de que as suas flechas se misturaram às de Eros.
Em A República, Platão repudia o estado de contemplação – muitas vezes suscitado pela arte – por entender que, neste estado, nos perdemos do caminho do conhecimento. Tânatos se perdeu em Eros; se misturou a Eros. E, desde então,
nenhuma
flecha
é
segura.
Um minuto não é um minuto. Uma palavra não é uma palavra. Uma boca não é uma boca. Esta espera não é o universo. Reviro a bolsa procurando o último cigarro. Nada. Do outro lado da praça, a banca de jornal. Seria útil comprar cigarros – pelo vício e pela timidez. Então, a boca trocaria as palavras pela fumaça e as mãos encontrariam alguma ocupação, mas: ele.
A França não fabrica mais cigarros de tabaco negro, aqueles do Sartre. É, a fábrica dos Gauloises fechou (ele olha para fora do café, como se procurasse alguém na multidão). Em 2005, acho. Agora são fabricados na Espanha (pede um isqueiro para o garçom). […] Acho este pedaço do Rio de Janeiro tão bonito quanto caricato, esta coisa da cidade à francesa (sorri).
Um minuto não é um minuto. Uma palavra não é uma palavra. Uma boca não é uma boca. Esta espera é parte de um sistema de significação inconsciente. Não existe tempo, argumentação ou corpo,
mas:
ele.