25 de Agosto de 2009

Jardim selvagem

Postado em Diarices, Estante por sophrosyne.hybris@gmail.com

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O modelo metafísico de Platão se divide em dois níveis: transcendência e imanência. A transcendência é o plano do incorruptível, perfeito e eterno, ou seja: a idéia. Já a imanência, é o plano da matéria; daquilo que se corrompe – estamos caminhando irremediavelmente para a morte.

Na mitologia grega, Tânatos é a personificação da morte, filho de Érebo e Nix, e Eros, filho de Afrodite e Zeus, o Deus do amor. Na teoria das pulsões, de Freud, Tânatos é a pulsão de morte e Eros a pulsão sexual. A pulsão é a tendência ao restabelecimento do estado anterior; e, como o estado anterior à vida é o estado inorgânico, as pulsões buscariam, em confluência, a volta a este estado. As pulsões de autoconservação, que parecem se opor à morte, são pulsões parciais para assegurar no organismo o seu caminho para a morte. Para Freud, sempre havia certo grau de mistura entre as pulsões.

Numa noite de chuva, Eros procurou abrigo numa caverna. Permaneceu sentado por algum tempo, mas logo adormeceu sem perceber que, na penunbra, Tânatos o contemplava. Perdido em seu estado de contemplação, Tânatos não se deu conta de que as suas flechas se misturaram às de Eros.

Em A República, Platão repudia o estado de contemplação – muitas vezes suscitado pela arte – por entender que, neste estado, nos perdemos do caminho do conhecimento. Tânatos se perdeu em Eros; se misturou a Eros. E, desde então,

nenhuma

flecha

é

segura.

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