28 de Setembro de 2009
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Diálogos por
sophrosyne.hybris@gmail.com

Embora planeje fazer mestrado, reconheço que não me adéquo à vida acadêmica. É quase irritante estudar Estética e Teoria Literária. Diante de um texto ou quadro, é sempre o velho argumento de autoridade, que garante ao sujeito do discurso a capacidade de apontar o significado universal da obra e até entender o sentimento que moveu o artista no momento da criação. Alguns críticos mais exaltados garantem que ninguém poderia sequer olhar o Jardim das Delícias, sem prévio conhecimento de semiótica.
Por mais que, durante o meu superficial estudo de filosofia, tenha travado discussões intermináveis com Kant, me agrada o conceito de que o belo tenha origem na relação entre sujeito e objeto: são inúmeros Jardins das Delícias, concebidos por diferentes formas de sentir e pensar. Não é preciso enxergar, disfarçada nas pedras do paraíso, a caricatura de Bosch para se emocionar.
Lembro que outro dia, trocando de canal, vi uma repórter levar um senhor de sessenta e poucos anos a uma exposição no MAM. Ele nunca havia entrado num museu antes. Ainda sem entender a utilidade daqueles borrões, o senhor que passara a vida pintando paredes, sentiu “um nó na garganta” diante daquela “misturada de tintas”.
O belo não é objetivo afinal.
11 de Setembro de 2009
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Agenda por
sophrosyne.hybris@gmail.com
Prezados,
Vou discotecar na festa da Mojo Books, que editou os meus dois livrinhos, no próximo dia 19. Conto com a presença de vocês para ouvir britpop, madchester, shoegaze e um tiquinho de carimbó.
Segue a programação:
O SEBO BARATOS DA RIBEIRO & ESPAÇO MULTIFOCO
APRESENTAM A SUPERPRODUÇÃO
OFF-BIENAL
(Porque é de pequeno que se torce as ideias!)
O Baratos da Ribeiro, sebo que adora um fuzuê, uniu forças à editora e livraria da Lapa, Espaço Multifoco, para oferecer um plano B para quem quiser fazer do seu SÁBADO, DIA 19, uma maratona literária – sem precisar se deslocar para a Bienal dos Livros que acontece naquele distante e ermo lugarejo chamado Barra da Tijuca.
Os leitores que resolverem abrir mão do deserto de boas opções que é o entorno do Riocentro terão, além da relação custo benefício do Pavão Azul, em Copa, ou do Botequim da Garrafa, na Lapa, a oportunidade de desfrutar de:
- descontos especiais
- contação de histórias
- leitura dramática & esquetes teatrais
- múltiplos lançamentos de livros de novos autores
- shows musicais
- revista cultural feita ao vivo
- primeira festa carioca de lançamento dos livros da Mojo Books
OU SEJA:
Pegue uma praia, leve as crianças para ouvir contação de histórias no sebo, prove a muqueca de camarão do Pavão, volte para o sebo para conferir a prévia de “Esperando Godot”, conheça um pouco da nova ficção carioca, assista a um show de rock com tempero literário, vá para a Lapa, confira mais um show, outros prosadores de mão cheia, dance ao som dos livros da Mojo Books e estique madrugada adentro na região do Rio onde tradicionalmente tudo acontece.
E ATENÇÃO: todos os livros serão oferecidos com descontó sobre o preço original “de capa”. Até o sebo, que já tem preços bem camaradas, dará descontos que irão variar entre 10% e 20%.
TUDO ISSO GRATUITAMENTE E PERTO DE CASA.
A programação ainda está sujeita a alterações, mas está descrita baixo, em linhas gerais. E um abraço ao pessoal da OFF-FLIP, de Paraty, que tem lutado para oferecer, em paralelo ao evento literário mais bacana desta década, uma oportunidade aos autores do circuito alternativo.
Mais informações com:
Maurício Gouveia: (21) 9973 6021
SEBO BARATOS DA RIBEIRO
Rua Barata Ribeiro 354, Copacabana
Tels. (21) 2256 8634 ou 2549 3850
www.baratosdaribeiro.com.br/eventos
www.baratosdaribeiro.com.br/clubedaleitura
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PROGRAMAÇÃO
DIURNA & VESPERTINA (Sebo Baratos da Ribeiro, em Copacabana)
10-13h
Contadores de Histórias Dandara: Wilson Jequitibá, Raquel Botafogo e Alice Botafogo. Destaque para a história de origem africana, “O baú de histórias”, e para a última sessão deste ciclo, voltada para adultos (pois é, também me surpreendi ao descobrir que contação de história não é só pra galera miúda).
16h
Leitura dramática do diálogo escrito pela psicanalista Solange Jouvin, em que um jovem Freud encontra Machado de Assis, 2 décadas mais velho. Gilberto Behar e Bernardo Lacomb interpretam os famosos autores.
17-19h
Coquetel. Lançamentos múltiplos:
S. Lobo (Copacabana)
Fábio Lyra (Menina Infinito)
Mariel Reis (John Fante trabalha no Esquimó)
Estevão Ribeiro (Enquanto ele estava morto, Contos Tristes)
Ana Cristina Rodrigues (Anacrônicas)
Luis Eduardo Matta (120 Horas, O rubi do Planaldo Central, O véu)
Alex Castro (Mulher de um homem só)
Estevão Azevedo (Nunca o nome do menino)
+ a turma da literatura vampiresca: Humberto Moura Neto (O vampiro antes de Drácula), Martha Argel (Ficzine, O livro dos contos enfeitiçados, entre outros), Giulia Moon (Ficzine, Luar de Vampiros) e o pessoal da antología “Território V: vampiros em Guerra”.
+COLETIVO CLUBE DA LEITURA, apresentando a performance “Modo de Folhear”, em que o público é convidado a defender os contos da antologia lançada este ano e concorre a prêmios do Sebo.
19h
Preview da montagem de “Esperando Godot”, que entrará em cartaz no sebo mesmo em outubro. Direção e adaptação do texto de Leonardo Thierry.
19:30h
Show da banda Cartas a Julie Marie, banda capitaneada pelo também ficcionista Alex Frechette, de Niterói.
PROGRAMAÇÃO NOTURNA (no Espaço Cultural Multifoco, na Lapa)
21h
Lançamentos múltiplos:
Nilson Lago (O que é ateísmo nem contém)
Tonho França (Blues à tarde)
Paula Gicovate (Sobre tudo que transborda)
Marla Queiroz (Flores de dentro)
André Calazans (Contos avessos, Fragmentos)
Renato Amado (O Vale do Rio Preto)
22h
Sala 126: show entremeado com entrevista para gravação de CD com Nervoso & Os Calmantes (a banda lançou o segundo CD há poucos meses e concorre na categoria melhor videoclip no VMB 2009 da MTV Brasil).
23:30h
Lançamentos da Mojo Club: os autores da Mojo Books “tocam” seus livros, travestidos de DJs.
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10 de Setembro de 2009
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Diarices por
sophrosyne.hybris@gmail.com
O rosto que, iluminado pela insistente fresta de luz, era a poesia em si; o belo em si. Aquele menino tão cheio de esperanças representava uma possibilidade de retorno; de tornar tangível tudo o que se deixa pelo caminho. E aquele sorriso, meudeus, era de uma inocência atroz.
8 de Setembro de 2009
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HAMLET — Não deverias ter-me dado crédito, porque a virtude não pode enxertar-se em nosso velho tronco, sem que deste não remanesça algum travo. Nunca te amei.
1 de Setembro de 2009

Frio e levemente salgado, rodopiando, despenteando as árvores, indo e vindo e levando consigo as folhas amareladas. Foi este vento de mar que despenteou os meus cabelos? Estou, de fato, sentada na praia, assistindo aos moleques que batem uma bolinha, enquanto dou a primeira mordida no Dragão Chinês? O agora: sabor de chocolate e cheiro de maresia e todas as pessoas que não me percebem. O agora mais uma fina camada de agora: o trânsito e todo aquele barulho e os carros espremidos e as crianças de uniforme da escola atravessando fora da faixa de segurança. Não consigo desfazer a trama dos agoras: todos os momentos se sobrepõem. Não sei se o corte do lado esquerdo da boca está curado, com casca ou aberto. Não sei se neste momento estou te beijando. Não sei se já te beijei. Talvez seja tudo vento: passado, presente, corpo, identidade. Tudo se misturando na esquina da Ataulfo de Paiva.
Mais uma vez, faço o monólogo dos lugares; das sensações contidas naquilo que me cerca. Mas como eu disse no parágrafo anterior (e como disse aquele velho argentino): Todos estão em toda a parte, e tudo é tudo. Cada coisa é todas as coisas. O Sol é todas as estrelas, e cada estrela é todas as estrelas e o Sol. E, se tudo é tudo, falar das coisas, sentir através delas, é falar de mim. Talvez, meu bem, este seja o meu monólogo interior, o único possível.