Caos
Não, não sei o que eu estava esperando dessa maluquice toda. Só sei que: não rolou. A impressão que tenho é de que são muitas variáveis – impossíveis de prever e controlar. Lembra um pouco aquele papo da Teoria do Caos, sabe? Na verdade, a Teoria não estuda a desordem, mas a possibilidade de enxergar algum padrão dentro da desordem. Mas é mesmo difícil identificar o tal padrão. Por isso, tanta confusão em acertar a previsão meteorológica, por exemplo.
Estava olhando para o céu esperando nuvens carregadas e aquele Rio de Janeiro cinza, monocromático, de que tanto gosto. Aqueles dias em que as pessoas correm pelas ruas, trombando uma nas outras, se espremendo entre as marquises e colorindo as faixas de pedestres com os seus guarda-chuvas. Queria a urgência do toque e aquele desejo de abismo. Mas não: dia de sol e as pessoas correndo e andando de bicicleta pela Lagoa, enchendo os bares com os seus chopes e conversas sobre futebol e mulheres. Aquele mormaço que nos empurra para a lentidão e apatia.
“Meu bem, tanto faz”.
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