24 de Janeiro de 2010

Botequim filosófico I

Postado em Estante por sophrosyne.hybris@gmail.com

960f82945dba7d7efdb79a21ece06dcf76df8d70_m.jpg

“O que fazemos aqui, nós, que vamos desaparecer?”, “Caminhamos”. Chão de terra, grama, pedras e o estalar da madeira; da floresta; do mundo. O céu termina na copa das árvores. E nós estamos no caminho. Mas aqui, no meio do nada, ninguém consegue ver o que nos rói o peito. Estamos (eu e a dor) protegidos da platéia por árvores e montanhas e estradas de terra; por sangue, músculos e ossos.

Para Schopenhauer, a dor é um escândalo, uma perturbação que deveria ser eliminada. A solução para a questão da dor, ainda segundo Schopenhauer, é o princípio da negação da vontade: o segredo para alcançar a felicidade absoluta é aprender a renunciar. Este princípio era um dos pontos de discordância entre Nietzsche e Schopenhauer. Para Nietzsche, a dor é parte essencial de toda existência.

Nietzsche, século XIX, filósofo que acreditava ter nascido póstumo, que acreditava que nós, seres iluminados do século XXI, seríamos capazes de compreender a sua obra. Nietzsche se mostrou, por fim, um otimista. A sua obra sobrevive num punhado de frases extirpadas de textos e enfiadas nesta enorme conversa de botequim que é a Internet (e a vida).“Deus está morto”, “Viva”. Poderíamos, nós, filósofos de botequim, apreciadores de cerveja e frases feitas, tentar entender o real significado daquilo que apenas repetimos?

Nossa sociedade, abarrotada de nietzschianos, continua se envergonhando das suas dores. Eu continuo me envergonhando das minhas dores. Sigo uma fraude. Pseudo-nietzschiana. Sigo estrangeirando nesta floresta – neste corpo – que me isola e protege.

Os comentários estão fechados, mas você pode fazer um trackback do seu próprio site. RSS 2.0

Os comentários para este post estão fechados.