25 de Janeiro de 2010

Sobre barcos e ilhas

Postado em Diarices por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Em 1943, minha avó materna chegou ao Bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, onde abriu uma mercearia. Nascida em Corvo, menor ilha do arquipélago português de Açores (superfície total de 17,13 km², com 6,5 km de comprimento por 4 km de largura e apenas 425 habitantes), dona Rosa foi a maior referência na minha infância, cresci ouvindo fado e estórias sobre o pequeno vilarejo.

Tenho a impressão de que a minha família nunca deixou aquela ilha – ou eu é que não.

A vila de Corvo é o local habitado mais isolado de Portugal. Durante o Inverno, as ligações marítimas, apesar de regulares, são fortemente condicionadas pelo estado do mar e pelo vento, já que o Porto da Casa não fornece abrigo que permita a operação com tempo adverso. No entanto, durante o Verão, chega a haver várias ligações por dia, usando barcos rápidos que fazem o trajeto entre o Corvo e Santa Cruz das Flores em cerca de 30 minutos.

Sinto o mar acariciando violentamente os meus pés – talvez ainda seja inverno. Estou presa aqui, esperando que, em breve, o verão inicie a faíscar.

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