8 de Fevereiro de 2010

Copistas ou fingidores?

Postado em Estante por sophrosyne.hybris@gmail.com

livro.jpg

Mímesis, “imitação” (imitatio, em latim), designa a ação ou faculdade de imitar; cópia, reprodução ou representação da natureza, o que constitui o fundamento de toda a arte. Platão e Aristóteles usaram este conceito com abordagens diferentes – em Platão, mímesis assume o significado de cópia e, em Aristóteles, de representação.

O movimento Sturm und Drang (tempestade e ímpeto), situado no período de 1760 a 1780, postulava uma  poesia espontânea – o valor estava no Empfindung, efeito da emoção. Sentimento acima da razão. A minha representação tem um pouco de Stürmer e um quê do decadentismo francês (que foi profundamente inspirado nas obras de Nietzsche e Schopenhauer), de 1880.

Tempestade, ímpeto e decadência só correspondem ao belo na forma de letra preta; só tem o encanto da novidade virginal em páginas de livros. A tristeza que resiste aos primeiros raios de sol da manhã, e aos apelos do verão, não é inocente ou encantadora.

No entanto, a tristeza do papel não reflete necessariamente o que se sente na vida – o vocábulo açúcar não é doce; reticências não são feitas de falta de ar; e amor não rima com dor.

É possível cunhar a representação - a cópia, não.

Os comentários estão fechados, mas você pode fazer um trackback do seu próprio site. RSS 2.0

Os comentários para este post estão fechados.