Copistas ou fingidores?
Mímesis, “imitação” (imitatio, em latim), designa a ação ou faculdade de imitar; cópia, reprodução ou representação da natureza, o que constitui o fundamento de toda a arte. Platão e Aristóteles usaram este conceito com abordagens diferentes – em Platão, mímesis assume o significado de cópia e, em Aristóteles, de representação.
O movimento Sturm und Drang (tempestade e ímpeto), situado no período de 1760 a 1780, postulava uma poesia espontânea – o valor estava no Empfindung, efeito da emoção. Sentimento acima da razão. A minha representação tem um pouco de Stürmer e um quê do decadentismo francês (que foi profundamente inspirado nas obras de Nietzsche e Schopenhauer), de 1880.
Tempestade, ímpeto e decadência só correspondem ao belo na forma de letra preta; só tem o encanto da novidade virginal em páginas de livros. A tristeza que resiste aos primeiros raios de sol da manhã, e aos apelos do verão, não é inocente ou encantadora.
No entanto, a tristeza do papel não reflete necessariamente o que se sente na vida – o vocábulo açúcar não é doce; reticências não são feitas de falta de ar; e amor não rima com dor.
É possível cunhar a representação - a cópia, não.
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