Em 1963,
“Sobre catequéses, eu garanto(!) que, mesmo que não duremos, vou te dar coisas que farão parte de você até o fim. Retribua-me na mesma paga, por favor; não espero menos de você”.
“Sobre catequéses, eu garanto(!) que, mesmo que não duremos, vou te dar coisas que farão parte de você até o fim. Retribua-me na mesma paga, por favor; não espero menos de você”.
Não fazer nada é fazer alguma coisa. Ou melhor: não falar nada. Fazer é falar. Palavras, palavras, palavras… Deitada no chão. Poderia tentar uma frase curta, jornalística, dessas pontuadas apenas por uma vírgula. Sem qualquer afetação retórica. Um vulto cresce em minha direção. Continuo encolhida. É ele. Não, eu não preciso de ajuda. Que diabos! Ele passa a mão no meu rosto. Sacudo a cabeça.
Por que estou pensando com essas frases curtas?
Gostaria mesmo é de silenciar os pensamentos, tenho certeza de que você também explode em pensamentos, está completamente desestruturado, tanto quanto eu, ou mais até, mas não aparenta, porque sou eu no chão afinal, eu assumi a figura mais óbvia de todas, estou no chão, e você acha, claro, que estou pedindo ajuda, não estou, não quero te contaminar com a minha dor, você não sabe como é isso, vai ser assim para sempre, até o fim, o último dia, e você vai sofrer por me ver sofrer, putaqueopariu, vá embora, agora, enquanto há tempo.
Não consigo dizer nada. E, para deixar o quadro ainda mais melodramático, sinto falta de ar. Tenho vontade de chorar e abraçá-lo e admitir que preciso de ajuda, que não, meu amor, não tá tudo bem, mas ele vai ser capaz de compreender?, não, não vai, ele vai dizer que é drama, que estou exagerando e que “vai ficar tudo bem”, não vai, não vai, não vai.
Outro dia, ele estava calado e… Não: calado, não. Calado, ele está sempre. Sei lá, parecia triste. Então, eu e a minha exuberância léxica tentamos ajudar, compreender, a partir do meu ponto de vista, claro, o que estava acontecendo com ele, se eu não me vejo sentindo o mesmo, é besteira, drama, exagero. Acho essa conclusão engraçada. As pessoas só são capazes de julgar a partir de si mesmas. Ninguém se move de si. Nem eu. Falta de ar. Visão turva. Ele me abraça. Mas não me pergunta
Por
Quê?
Se for para me machucar, que seja por conta própria. Não tenho queda para vítima. Mas tenho a impressão de que as pessoas gostam de se deixar golpear pelos outros. Talvez pensando que a dor de quem se vê obrigado a apunhalar seja maior.
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The more you know
who you are,
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And what you want,
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The less you let…
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Things upset you.
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00:19:41,632 –> 00:19:43,471
Yeah.
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I just don’t know
what I’m supposed to be.
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You know?
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I tried being a writer, but…
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I hate what I write.
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And I tried taking pictures,
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But they’re so mediocre,
you know.
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Every girl goes through
a photography phase.
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You know, like horses?
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You know?
Take, uh, dumb pictures of your feet.
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You’ll figure that out.
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I’m not worried about you.
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Keep writing.

Serendipidade tem origem na palavra inglesa serendipity, por vezes também traduzida como serendipitia, significa: a característica de se encontrar, por acidente, algo bom ou valioso enquanto se procurava outra coisa. Serendipidade é o acaso benevolente. Mas qual é a probabilidade de um acaso ser benevolente e não estúpido ou irrelevante?
Acabei me lembrando de um trecho d’A Insustentável Leveza do Ser, do Milan Kundera: “Sete anos antes, um caso difícil de meningite aparecera por acaso no hospital da cidade onde morava Tereza, e o chefe do departamento onde Tomas trabalhava havia sido chamado com urgência para uma consulta. Mas, por acaso, o chefe do serviço estava com ciática, impossibilitado de se mexer, e mandou Tomas em seu lugar a esse hospital de província. Havia cinco hotéis na cidade, mas Tomas hospedou-se por acaso no hotel em que Tereza trabalhava. Por acaso, tinha um momento disponível antes da partida do trem, e foi sentar-se no restaurante. Tereza por acaso estava trabalhando, e por acaso servia a mesa de Tomas. Foram necessários seis acasos para impelir Tomas até Tereza, como se, por conta própria, nada o tivesse conduzido até ela”.
Não procure; acredite no acaso. Mas não: eu não acredito. Em nada. Matematizo, calculo, observo e, sim, procuro.
Em 2001, a escritora Patrícia Melo adaptou Bufo & Spallanzani, romance de Rubem Fonseca, para o cinema. Curiosamente, Rubem Fonseca adaptou o romance O Matador, de Patrícia, para o cinema em 2003.
A última cena de O Homem do Ano, título da adaptação de O Matador, é descrita assim:
INT/EXT. ESTRADA/ CARRO - AMANHECER
Máiquel, de cabelo preto, dirige seu carro.
MÁIQUEL (V.O.)
A vida é uma coisa engraçada, se você
deixar, ela vai sozinha, como um rio.
Mas você também pode botar um cabresto e
fazer da vida o seu cavalo. A gente faz
da vida o que quer. Cada um escolhe a
sua sina. Cavalo ou rio.
Essa frase fez um vaivém terrível na minha cabeça. E acabei concluindo que não se pode escolher entre cavalo e rio, já que a vida abrange os dois. Cavalo é como a virtù, de Maquiavel, ou seja: a capacidade do indivíduo de controlar as ocasiões e acontecimentos. Já o Rio seria a Fortuna, que representa o acaso.
[O meu grande erro, em relacionamentos, é achar que com cordas e esporas é possível domar um rio. Cordas e esporas não servem sequer para domar as minhas pulsões]
Primeira cena de O Homem do ano:
EXT. RUA DO SUBÚRBIO/ CASA DE MÁIQUEL - DIA
Máiquel caminha pelo exterior do prédio até a porta de sua
casa. Ele entra.
MÁIQUEL (V.O.)
Antes da gente nascer, alguém, talvez
Deus, define direitinho como é que vai
foder a sua vida. Essa era a minha
teoria. Deus só pensa no homem na
largada, quando decide se a sua vida vai
ser boa ou ruim. Quando não tem tempo,
faz uma guerra, um furacão e mata uma
porrada de gente, sem ter que pensar em
nada. (veja o roteiro inteiro aqui)
Rubão, talvez Deus seja o acaso.
Pandora, a primeira mulher, foi criada por Hefesto e Atena, com o auxílio de todos os deuses. Antes de enviar Pandora à Terra, Zeus entregou-lhe uma caixa, recomendando que ela jamais fosse aberta. Dentro dela, os deuses haviam colocado um arsenal de desgraças para o homem, como a discórdia, a guerra e todas as doenças do corpo e da mente mais um único dom: a esperança.
Calor. A sensação térmica era, segundo o jornal da tarde, de cinqüenta graus. Não conseguia dormir – o ventilador soprava um vento quente tão quente, que: levantei. Acendi um cigarro. Depois de todas os cinzeiros (e palavras) arremessados, era possível constatar que a pior punhalada vem do cabo. E não da faca.
Num impulso, Pandora abriu a caixa.
Tentava não permitir que os pensamentos se fechassem. Não quero fixar, determinar ou definir. Não existe conclusão possível acerca daquilo que é inconcluso. Somos obras abertas afinal. Infinitos. Presos neste maldito movimento pendular: bom e mau, alegria e tristeza, amor e ódio…
E, por mais rápido que a tenha fechado, quase tudo escapara. Exceto
o diabo
da esperança.
“Parei de andar de um lado para o outro, fui até a janela, afastei as cortinas e fiquei a vê-los correrem, os mesmos de sempre , a debaterem-se com aquelas enormes mangas de sempre, os livros de sempre e os colarinhos de sempre”. Faulkner
“A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito. Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai. Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas”. Manoel de Barros
A Internet é um simulacro da realidade; é uma sombra manipulada daquilo que somos. E, quando decidimos quais adjetivos serão projetados (e de que forma), acabamos criando a criatura que nos representa. E nos habita. The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde.
No entanto, conhecer a criatura não é conhecer o criador. E quem poderia afinal conhecer o criador? Se nem ele próprio. Quando estudei física, era comum ouvir alguns colegas fazerem piadas com outras ciências “menos exatas”, como a psicologia. Claro: o objeto de estudo da psicologia, em constante mutação, não pode ser apreendido com a mesma facilidade que uma bola de aço. Não somos exatos. Do Homem, se obtém apenas recortes de realidade. Fotografias.
Ah, mas existe a questão da essência; aquilo que, se retirado, nos impediria de existir; aquilo que repousa sob as aparências. Mas é possível apontar a essência de um indivíduo a partir do que lemos e vemos aqui na virtualândia? Tanta pretensão, nem o nosso esforçado psicólogo, Freud, explica.
Beijos (meus e do Caê:
You don’t know me
Bet you’ll never get to know me
You don’t know me at all
Feel so lonely
The world is spinning round slowly
There’s nothing you can show me)