ma men
And everybody knows that it’s now or never
Everybody knows that it’s me or you
And everybody knows that you live forever
Ah when you’ve done a line or two
And everybody knows that it’s now or never
Everybody knows that it’s me or you
And everybody knows that you live forever
Ah when you’ve done a line or two
221
00:19:31,475 –> 00:19:33,514
The more you know
who you are,
222
00:19:33,634 –> 00:19:35,673
And what you want,
223
00:19:35,793 –> 00:19:38,473
The less you let…
224
00:19:38,553 –> 00:19:40,632
Things upset you.
225
00:19:41,632 –> 00:19:43,471
Yeah.
226
00:19:44,551 –> 00:19:46,830
I just don’t know
what I’m supposed to be.
227
00:19:47,830 –> 00:19:49,709
You know?
228
00:19:49,829 –> 00:19:51,629
I tried being a writer, but…
229
00:19:51,749 –> 00:19:53,548
I hate what I write.
230
00:19:53,668 –> 00:19:57,347
And I tried taking pictures,
231
00:19:57,427 –> 00:20:00,546
But they’re so mediocre,
you know.
232
00:20:00,666 –> 00:20:04,385
Every girl goes through
a photography phase.
233
00:20:04,465 –> 00:20:06,945
You know, like horses?
234
00:20:07,065 –> 00:20:10,824
You know?
Take, uh, dumb pictures of your feet.
235
00:20:13,383 –> 00:20:16,462
You’ll figure that out.
236
00:20:16,582 –> 00:20:19,021
I’m not worried about you.
237
00:20:21,541 –> 00:20:23,340
Keep writing.
“Esta manhã de chuva é um minuto no rodar infinito dos séculos, e os seres que passam meras sombras. Tudo isto me pesa e pesa-me também o não viver. Do fundo de mim mesmo protesto que a vida não é isto. A árvore cumpre, o bicho cumpre. Só eu me afundo soterrado em cinza. Terei por força de me habituar à aquiescência e à regra? Crio cama, e todos os dias sinto a usura da vida e os passos da morte mais fundo e mais perto.
É necessário abalar os túmulos e desenterrar os mortos.
É o Gabiru que se põe a falar sem tom, nem som. Um homem absurdo. Olhos magnéticos de sapo. É uma parte do meu ser que abomino, é a única parte do meu ser que me interessa. Às vezes deita-me tinta nos nervos. Fala quando menos o espero. Chamo-o, não comparece. Se quero ser prático, gesticula dentro do casaco arrepiado: – A alma! A Alma! Singular filósofo. É capaz de desejar a morte para ver o que há lá dentro; é capaz de achar vulgares até as coisas eternas. Ao lado da vida constrói outra vida. Sonha, e os seus sonhos são sempre irrealizáveis, transformam-se-lhe nas mãos em barro informe. Toda a gente se ri – sonha outra vez… Para ele a vida consiste, encolhido e transido, em embeber-se em sonho, em desfazer-se em sonho, em atascar-se em sonho. Meses inteiros ninguém lhe arranca palavra, dias inteiros ouço-o monologar no fundo de mim próprio. Ignora todas as realidades práticas. Na árvore vê a alma da árvore, na pedra a alma da pedra. Deforma tudo. Põe a mão e molha. Destinge o sonho…”
(Húmus, Raul Brandão)
Em 2001, a escritora Patrícia Melo adaptou Bufo & Spallanzani, romance de Rubem Fonseca, para o cinema. Curiosamente, Rubem Fonseca adaptou o romance O Matador, de Patrícia, para o cinema em 2003.
A última cena de O Homem do Ano, título da adaptação de O Matador, é descrita assim:
INT/EXT. ESTRADA/ CARRO - AMANHECER
Máiquel, de cabelo preto, dirige seu carro.
MÁIQUEL (V.O.)
A vida é uma coisa engraçada, se você
deixar, ela vai sozinha, como um rio.
Mas você também pode botar um cabresto e
fazer da vida o seu cavalo. A gente faz
da vida o que quer. Cada um escolhe a
sua sina. Cavalo ou rio.
Essa frase fez um vaivém terrível na minha cabeça. E acabei concluindo que não se pode escolher entre cavalo e rio, já que a vida abrange os dois. Cavalo é como a virtù, de Maquiavel, ou seja: a capacidade do indivíduo de controlar as ocasiões e acontecimentos. Já o Rio seria a Fortuna, que representa o acaso.
[O meu grande erro, em relacionamentos, é achar que com cordas e esporas é possível domar um rio. Cordas e esporas não servem sequer para domar as minhas pulsões]
Primeira cena de O Homem do ano:
EXT. RUA DO SUBÚRBIO/ CASA DE MÁIQUEL - DIA
Máiquel caminha pelo exterior do prédio até a porta de sua
casa. Ele entra.
MÁIQUEL (V.O.)
Antes da gente nascer, alguém, talvez
Deus, define direitinho como é que vai
foder a sua vida. Essa era a minha
teoria. Deus só pensa no homem na
largada, quando decide se a sua vida vai
ser boa ou ruim. Quando não tem tempo,
faz uma guerra, um furacão e mata uma
porrada de gente, sem ter que pensar em
nada. (veja o roteiro inteiro aqui)
Rubão, talvez Deus seja o acaso.
Eu sei, eu sei que você pensa que estou maluca.
A mulher apontou o revólver para mim.
Diga a verdade. Você acha que eu sou maluca. Os caseiros achavam que eu era maluca e foram embora de noite, sem me dizer nada. Eu acabei de ouvir um gemido forte, o barulho de uma alma penada, como a minha, e você me diz que não era nada? E este revólver que não tem balas? É assim que você ia me defender? Com um revólver sem balas?
Como você sabe que não tem balas?
Dei seis tiros na minha cabeça e não aconteceu nada.
Mímesis, “imitação” (imitatio, em latim), designa a ação ou faculdade de imitar; cópia, reprodução ou representação da natureza, o que constitui o fundamento de toda a arte. Platão e Aristóteles usaram este conceito com abordagens diferentes – em Platão, mímesis assume o significado de cópia e, em Aristóteles, de representação.
O movimento Sturm und Drang (tempestade e ímpeto), situado no período de 1760 a 1780, postulava uma poesia espontânea – o valor estava no Empfindung, efeito da emoção. Sentimento acima da razão. A minha representação tem um pouco de Stürmer e um quê do decadentismo francês (que foi profundamente inspirado nas obras de Nietzsche e Schopenhauer), de 1880.
Tempestade, ímpeto e decadência só correspondem ao belo na forma de letra preta; só tem o encanto da novidade virginal em páginas de livros. A tristeza que resiste aos primeiros raios de sol da manhã, e aos apelos do verão, não é inocente ou encantadora.
No entanto, a tristeza do papel não reflete necessariamente o que se sente na vida – o vocábulo açúcar não é doce; reticências não são feitas de falta de ar; e amor não rima com dor.
É possível cunhar a representação - a cópia, não.
“Vou. Avanço, avanço e regresso. E cada quilómetro, um mês; e cada metro, um dia. Avanço para o que fomos. Encontrei nas pedras deste caminho, no luminescente desta viagem, um espaço por onde entrei e acelero, onde cada quilómetro em frente é um mês que recuo. E avanço neste caminho que fizemos mil vezes juntos e avançam as estações do ano: primavera inverno outono verão primavera inverno… E avançam os quilômetros neste sítio onde entro como se caísse. Vertiginosamente. Atiro-me neste poço, no fundo que não se vê deste poço. E há tanta luz. Há os instantes que vivemos mil vezes juntos e que agora nascem sem nós e nos ultrapassam. Há o sol que partilhamos mil vezes e que agora não te aquece, que agora não me aquece. Pai. Passo por tudo e tudo me deixa e passa por mim. Caio. Avanço. Regresso.”
“O que fazemos aqui, nós, que vamos desaparecer?”, “Caminhamos”. Chão de terra, grama, pedras e o estalar da madeira; da floresta; do mundo. O céu termina na copa das árvores. E nós estamos no caminho. Mas aqui, no meio do nada, ninguém consegue ver o que nos rói o peito. Estamos (eu e a dor) protegidos da platéia por árvores e montanhas e estradas de terra; por sangue, músculos e ossos.
Para Schopenhauer, a dor é um escândalo, uma perturbação que deveria ser eliminada. A solução para a questão da dor, ainda segundo Schopenhauer, é o princípio da negação da vontade: o segredo para alcançar a felicidade absoluta é aprender a renunciar. Este princípio era um dos pontos de discordância entre Nietzsche e Schopenhauer. Para Nietzsche, a dor é parte essencial de toda existência.
Nietzsche, século XIX, filósofo que acreditava ter nascido póstumo, que acreditava que nós, seres iluminados do século XXI, seríamos capazes de compreender a sua obra. Nietzsche se mostrou, por fim, um otimista. A sua obra sobrevive num punhado de frases extirpadas de textos e enfiadas nesta enorme conversa de botequim que é a Internet (e a vida).“Deus está morto”, “Viva”. Poderíamos, nós, filósofos de botequim, apreciadores de cerveja e frases feitas, tentar entender o real significado daquilo que apenas repetimos?
Nossa sociedade, abarrotada de nietzschianos, continua se envergonhando das suas dores. Eu continuo me envergonhando das minhas dores. Sigo uma fraude. Pseudo-nietzschiana. Sigo estrangeirando nesta floresta – neste corpo – que me isola e protege.
“Parei de andar de um lado para o outro, fui até a janela, afastei as cortinas e fiquei a vê-los correrem, os mesmos de sempre , a debaterem-se com aquelas enormes mangas de sempre, os livros de sempre e os colarinhos de sempre”. Faulkner
“A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito. Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai. Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas”. Manoel de Barros