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26 de Julho de 2010

Offret

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Dois personagens, ao longe, plantando juntos uma árvore à beira de um lago, enquanto o homem narra a fábula de um homem cuja sina era regar uma árvore morta (até que ela florescesse novamente…).

18 de Julho de 2010

Sobre fogo (ou falta de)

Postado em Estante por sophrosyne.hybris@gmail.com

Não poderia encontrar uma defição melhor: “sou uma vela apagada num quarto escuro”.

13 de Julho de 2010

Sobre escolhas

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Texto do Domingos de Oliveira sobre o período em que cursou engenharia na UFRJ:

Entre os 20 e 25, na faculdade de engenharia. Grandes salas, corredores, tetos altos e janelas largas. Muita gente burra passeando, andando de um lado para o outro. Chamo de burrice o seguinte: a falta de humildade, de amor ao próximo e de uma noção clara da morte. Pessoas que não vêem o mistério que as cerca, o que é realmente de uma cegueira implacável. Porém a vida está em todos os lugares, até na ENE (Escola Nacional de Engenharia). No Largo de São Francisco, chamado assim por causa da igreja velha que tem lá, onde de vez em quando eu entrava (naquele tempo eu era jovem e me incomodava o fato de Deus não existir).

Dos meus cinco anos na faculdade, lembro muito pouco. A falta de transcendência daquela gente. Sua objetividade doentia. Seu espírito de competição constante, essas coisas me davam angústia, me tiravam o ar.

Poderia dizer o mesmo sobre o curso de Física e, não por acaso, me sinto mais realizada em Comunicação Social – e não, não estou ignorando os problemas do curso, das pessoas e os meus. Só me sinto mais feliz – isso é pouco, mas é tudo.

14 de Junho de 2010

A volta ao dia em 80 mundos

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“Um mundo que começasse por Picasso em vez de acabar nele seria um mundo exclusivamente para cronópios, e em todas as esquinas os cronópios dançariam tregua e dançariam catala, e Louis sopraria durante horas em cima do poste luz fazendo cair do céu enormes pedaços de estrelas de calda e framboesa para crianças e os cachorros comerem”.

(Louis, enormíssimo Cronópio, Cortázar)

1 de Abril de 2010

Sexus

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Quem quiser ler em inglês, clicaqui.

28 de Fevereiro de 2010

ma men

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And everybody knows that it’s now or never
Everybody knows that it’s me or you
And everybody knows that you live forever
Ah when you’ve done a line or two

16 de Fevereiro de 2010

Lost in translation

Postado em Diálogos, Estante por sophrosyne.hybris@gmail.com

221
00:19:31,475 –> 00:19:33,514
The more you know
who you are,

222
00:19:33,634 –> 00:19:35,673
And what you want,

223
00:19:35,793 –> 00:19:38,473
The less you let…

224
00:19:38,553 –> 00:19:40,632
Things upset you.

225
00:19:41,632 –> 00:19:43,471
Yeah.

226
00:19:44,551 –> 00:19:46,830
I just don’t know
what I’m supposed to be.

227
00:19:47,830 –> 00:19:49,709
You know?

228
00:19:49,829 –> 00:19:51,629
I tried being a writer, but…

229
00:19:51,749 –> 00:19:53,548
I hate what I write.

230
00:19:53,668 –> 00:19:57,347
And I tried taking pictures,

231
00:19:57,427 –> 00:20:00,546
But they’re so mediocre,
you know.

232
00:20:00,666 –> 00:20:04,385
Every girl goes through
a photography phase.

233
00:20:04,465 –> 00:20:06,945
You know, like horses?

234
00:20:07,065 –> 00:20:10,824
You know?
Take, uh, dumb pictures of your feet.

235
00:20:13,383 –> 00:20:16,462
You’ll figure that out.

236
00:20:16,582 –> 00:20:19,021
I’m not worried about you.

237
00:20:21,541 –> 00:20:23,340
Keep writing.

14 de Fevereiro de 2010

Sonho

Postado em Estante por sophrosyne.hybris@gmail.com

“Esta manhã de chuva é um minuto no rodar infinito dos séculos, e os seres que passam meras sombras. Tudo isto me pesa e pesa-me também o não viver. Do fundo de mim mesmo protesto que a vida não é isto. A árvore cumpre, o bicho cumpre. Só eu me afundo soterrado em cinza. Terei por força de me habituar à aquiescência e à regra? Crio cama, e todos os dias sinto a usura da vida e os passos da morte mais fundo e mais perto.

É necessário abalar os túmulos e desenterrar os mortos.

É o Gabiru que se põe a falar sem tom, nem som. Um homem absurdo. Olhos magnéticos de sapo. É uma parte do meu ser que abomino, é a única parte do meu ser que me interessa. Às vezes deita-me tinta nos nervos. Fala quando menos o espero. Chamo-o, não comparece. Se quero ser prático, gesticula dentro do casaco arrepiado: – A alma! A Alma! Singular filósofo. É capaz de desejar a morte para ver o que há lá dentro; é capaz de achar vulgares até as coisas eternas. Ao lado da vida constrói outra vida. Sonha, e os seus sonhos são sempre irrealizáveis, transformam-se-lhe nas mãos em barro informe. Toda a gente se ri – sonha outra vez… Para ele a vida consiste, encolhido e transido, em embeber-se em sonho, em desfazer-se em sonho, em atascar-se em sonho. Meses inteiros ninguém lhe arranca palavra, dias inteiros ouço-o monologar no fundo de mim próprio. Ignora todas as realidades práticas. Na árvore vê a alma da árvore, na pedra a alma da pedra. Deforma tudo. Põe a mão e molha. Destinge o sonho…”

(Húmus, Raul Brandão)

10 de Fevereiro de 2010

Domando rios

Postado em Diálogos, Estante por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Em 2001, a escritora Patrícia Melo adaptou Bufo & Spallanzani, romance de Rubem Fonseca, para o cinema. Curiosamente, Rubem Fonseca adaptou o romance O Matador, de Patrícia, para o cinema em 2003.

A última cena de O Homem do Ano, título da adaptação de O Matador, é descrita assim:

INT/EXT. ESTRADA/ CARRO - AMANHECER

Máiquel, de cabelo preto, dirige seu carro.
MÁIQUEL (V.O.)

A vida é uma coisa engraçada, se você
deixar, ela vai sozinha, como um rio.
Mas você também pode botar um cabresto e
fazer da vida o seu cavalo. A gente faz
da vida o que quer. Cada um escolhe a
sua sina. Cavalo ou rio.

Essa frase fez um vaivém terrível na minha cabeça. E acabei concluindo que não se pode escolher entre cavalo e rio, já que a vida abrange os dois. Cavalo é como a virtù, de Maquiavel, ou seja: a capacidade do indivíduo de controlar as ocasiões e acontecimentos. Já o Rio seria a Fortuna, que representa o acaso.

[O meu grande erro, em relacionamentos, é achar que com cordas e esporas é possível domar um rio. Cordas e esporas não servem sequer para domar as minhas pulsões]

Primeira cena de O Homem do ano:

EXT. RUA DO SUBÚRBIO/ CASA DE MÁIQUEL - DIA
Máiquel caminha pelo exterior do prédio até a porta de sua
casa. Ele entra.
MÁIQUEL (V.O.)

Antes da gente nascer, alguém, talvez
Deus, define direitinho como é que vai
foder a sua vida. Essa era a minha
teoria. Deus só pensa no homem na
largada, quando decide se a sua vida vai
ser boa ou ruim. Quando não tem tempo,
faz uma guerra, um furacão e mata uma
porrada de gente, sem ter que pensar em
nada. (veja o roteiro inteiro aqui)

Rubão, talvez Deus seja o acaso.

9 de Fevereiro de 2010

Rubem Fonseca strikes back

Postado em Estante por sophrosyne.hybris@gmail.com

Eu sei, eu sei que você pensa que estou maluca.

A mulher apontou o revólver para mim.

Diga a verdade. Você acha que eu sou maluca. Os caseiros achavam que eu era maluca e foram embora de noite, sem me dizer nada. Eu acabei de ouvir um gemido forte, o barulho de uma alma penada, como a minha, e você me diz que não era nada? E este revólver que não tem balas? É assim que você ia me defender? Com um revólver sem balas?

Como você sabe que não tem balas?

Dei seis tiros na minha cabeça e não aconteceu nada.