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18 de Fevereiro de 2010

Jornal da tarde

Postado em Jornalices por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Velha conhecida

Para se inspirar e ficar longe das ‘tentações’ da internet, jovens autores redescobrem os prazeres da máquina de escrever

Felipe Branco Cruz

Mayra Lopes, de 24 anos, sentia saudades de um amigo que estava morando em outro país. Por um motivo bobo, os dois tinham brigado. Para se desculpar, ela resolveu mandar-lhe uma carta. Mas não uma carta qualquer, porque ela datilografava o texto usando uma máquina de escrever. Nervosa e arrependida, chorava. Suas lágrimas mancharam o papel e borraram o texto. Ela não passou a limpo e enviou o texto assim mesmo, com todas as marcas. “A pessoa percebeu que foi um pedido de desculpas cheio de emoção e me perdoou. Isso nunca seria possível caso eu a enviasse por e-mail”, diz Mayra.

A poesia dos textos escritos sem um meio digital passou a atrair jovens com menos de 30 anos que, em tempos de supercomputadores e iPad, veem na máquina de escrever uma inspiração. Segundo a escritora Marci Kühn, de 24 anos, o que os jovens buscam é emular a sensação que seus autores favoritos sentiam quando escreviam. “Quando se fala em Manuel Bandeira, Graciliano Ramos ou Clarice Lispector, você não os imagina atrás de um computador e sim de uma máquina de escrever.” Ela é apenas uma entre vários de sua geração que preferem o charme da velha máquina à sisudez do computador.

No caso de Mayra, a atração pelo método transcende o saudosismo. Dona de uma Remington, que ganhou de aniversário há dois anos, ela justifica sua opção pelo objeto dizendo que, ao sentar-se diante dele, não há nada para distraí-la, como sites na internet e MSN. “Se pudesse compraria mais, para deixar na estante, como enfeite”, conta. “Mas uma coisa não exclui a outra, também uso computador.”

O equipamento traz outras vantagens. Há quem goste dos barulhos, do ‘plim’ de quando se chega ao final da linha, das teclas mais duras… Marci conta que, ao debruçar-se sobre a máquina, contempla o papel em branco, o que a obriga a pensar em cada palavra antes de escrever, porque não dá para corrigir os erros. “Quando olhamos para a tela do computador temos a impressão de que tudo já está pronto”, diz ela. Foi sem permitir-se as vantagens de um editor de texto de computador que ela escreveu seu primeiro livro, No Mar e Outros Contos, de 66 páginas. Detalhe: a obra é vendida pela internet em formato de e-book.

A mesma ironia persegue a carioca Daniela Lima, de 28 anos, formada em Física pela UFRJ e estudante de jornalismo. Os dois livros que escreveu foram feitos à máquina, mas só são vendidos digitalmente. “Gosto das coisas físicas, de vinil, de livros, nada digital e, ironicamente, meus livros ainda não foram publicados em papel.” Em seu notebook analógico, forma como ela chama sua máquina de escrever, ela também digita contos e textos que depois são transcritos para seu blog: danielalima.com. Mayra faz a mesma coisa no blog pointlesswriting.wordpress.com.

Mesmo com essas modernidades, os macetes ao digitar permanecem: é preciso bater nas teclas com todos os dedos e de forma correta. “Catar milho é muito feio”, diz a professora de datilografia Elen Ferreira, de 44 anos. Ela é dona da LED Informática, na região do Jardim Tremembé, uma escola de datilografia que, para não falir, migrou para a era digital. Elen, que herdou o negócio da mãe e atua no ramo há 30 anos, começa os ensinamentos na máquina, depois passa para o computador. “Há alguns anos, ainda exigia-se diploma de datilografia para prestar concurso para juiz de direito.” Hoje, só manuseia a máquina de escrever quem quer.

ONDE ENCONTRAR

Agil: Tradicional, vende e faz conserto de máquinas de escrever e calculadores. Há 25 anos ali, a loja foi passada de pai para filho.
Rua Tabatinguera, 416. 3105-8644.

Condez: Comandada pelo pai Carlos Alberto Condez, de 65 anos, e o filho Marcelo, de 40,
vende e conserta as máquinas. Há equipamentos que custam R$3. Rua do Carmo, 112, sala 41. 3241-242.

Original aqui.

13 de Fevereiro de 2009

N’O Globo:

Postado em Degraus, Jornalices por sophrosyne.hybris@gmail.com

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Antes de definir a minha editoria, Ciência, passei por várias outras – inclusive, como fotógrafa. Fato: certos vegetais são mais expressivos e carismáticos do que determinados modelos. E, bem, é a única editoria em que comer o modelo não traz maiores conseqüências. Enfim, uma das fotos desta época foi publicada n’O Globo de ontem.