Daniela Lima:
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Adoro os dias chuvosos, quando o mar e as montanhas se misturam no mesmo cinza; adoro fugir da chuva debaixo das marquises. Na Zona Sul. No Centro. No Rio: a minha cidade. Só sou possível aqui, falando de Nietzsche e escorregando no Demorô e no Já é, atrasando meia hora e tentando compensar no trânsito, marcando aquele chope que, provavelmente, não vai rolar. Sou carioca, porra!
Fui adolescente na década de 90: entre o Britpop e a Teoria das Cordas. Em 1998, vi o Oasis e o Blur ao vivo; em 1999, entrei para a faculdade de Física. Mas a vontade, em seu movimento pendular, me fez estudar fotografia e, posteriormente, jornalismo – do natural ao inevitável.
O tempo passou entre o café, o sebo e a tela do cine Odeon; entre os filmes do Godard, Antonioni e Wong Kar-Wai; entre os livros do Henry Miller, Joyce e Faulkner. Vinte e seis e contando e tropeçando nas pedras portuguesas que, em dias de chuva, são como sabão.
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My task is to make you hear. My task is to make you feel. And, above all, to make you see. That`s all. And everything.
